Alguns aliados do governador Elmano de Freitas, nos últimos dias, estão passando a ideia de que a base política de apoio à reeleição do governador tem conseguido novos apoios para sua campanha de reeleição. Na verdade, a tentativa de busca de novos aliados tem ocorrido, principalmente junto a integrantes do novo bloco partidário nacional, no caso a Federação partidária que uniu o PP e o União Brasil. Até aqui, nada de concreto existe. De fato, só no fim do mês de março e nos três primeiros dias de abril, do próximo ano, é que acontecerão as definições, pois o Calendário Eleitoral determina que todas as filiações partidárias de candidatos em 2026, se deem até o dia 4 de abril, exatamente seis meses antes do dia da votação.
É natural que os apoiadores de Elmano procurem mais aliados, mas o mais importante, contudo, é que o Governo mantenha coesa e confiante a base que conquistou para a eleição de 2022 e o ajuda a governar. O governador pode não saber, pois o chefe acaba sendo o último das ações e gestos traiçoeiros dos liderados, principalmente quando esses liderados são pessoas de comportamento duvidoso, como é a maioria dos políticos nacionais, que, faz “qualquer negócio” para gozar das benesses do Poder. O governador, pelo sentimento do observador mais atento aos fatos políticos, ainda não está com sua base coesa.
A Assembleia Legislativa, mesmo com o seu plenário, sempre parcialmente esvaziado, ainda é o termômetro mais fiel da política cearense. Os deputados, embora reclamem de mais acesso direto ao governador, vez por outra chegam ao Chefe. Os deputados são os principais interlocutores dos prefeitos, vereadores e outras lideranças políticas. Pela conversa de uma boa parte deles, reina um expressivo sentimento de raiva com o tratamento que recebem do Abolição. Os deputados do PT, dizem os seus colegas governistas de outros partidos, são bem tratados, e utilizando-se da máquina, abarrotam-se de votos no Interior.
Mas, tem também petista, não detentor de mandato, que reclama, como um dos que me mandaram dizer, após um comentário sobre ações do Governo do Estado, para garantir a chapa de deputado federal do PDT, ter evitado adesões ao PSB, articulada pelo senador Cid Gomes: “A manobra para isolar Cid Gomes pode ser uma tática de sobrevivência necessária, mas ela não resolve o problema estrutural. O problema é um partido que, por vezes, parece ter mais medo de sua própria base de esquerda do que de seus “aliados” de direita.
A fatura do pragmatismo chegou. E ela é alta. Espero, sinceramente, que este episódio sirva para uma profunda reflexão dentro do nosso partido. A política não pode ser um jogo de xadrez onde a militância e a coerência são as primeiras peças a serem sacrificadas. A lealdade que exigimos do povo nas urnas é a mesma que devemos ter com os nossos princípios no poder”.
Mas os insatisfeitos na base de apoio ao governador Elmano de Freitas não são apenas alguns deputados estaduais e federais e alguns petistas. A maior insatisfação, que todos procuram esconder, é da parte do senador Cid Gomes. Este já deu vários sinais, não de rompimento com a candidatura à reeleição do governador, mas com os entendimentos de formação das alianças e das chapas, majoritária e proporcional. Cid não apoiará outro candidato contra Elmano, mas poderá ajudar a derrotar o governador. Diferentemente de Fortaleza, a liderança política de Cid no Interior pode definir qualquer eleição.
Disputar uma reeleição é mais fácil do que concorrer pela primeira vez àquele cargo. Mas essa facilidade não garante o sucesso eleitoral. Lúcio Alcântara, um dos mais hábeis políticos cearenses não conseguiu reeleger-se.