
O tema foi levado à tribuna pelo deputado Fernando Hugo, médico de formação. Foto: ALECE
Deputados da Assembleia Legislativa do Ceará levaram à tribuna da Casa a preocupação com o crescimento desenfreado no número de faculdades de Medicina no Brasil. De acordo com os parlamentares, isso pode resultar na precariedade da função de médico, prejudicando a vida da população.
O tema foi levantado pelo deputado Fernando Hugo (PSD), que é médico, e foi corroborado por outros parlamentares também formados em Medicina. De acordo com Hugo, o crescimento da oferta de cursos de Medicina no Brasil pode resultar em riscos de uma má formação para a saúde pública.
De acordo com o parlamentar, há alguns anos, diversas faculdades espalhadas por todo o País têm oferecido esses cursos, mesmo que na região não tenha estrutura que auxilie na formação dos profissionais de saúde.
“É um absurdo. Existem faculdades de Medicina localizadas hoje em cidades que não tem um hospital sequer para despachar um atendimento primário, como uma dor de dente, uma cefaléia ou uma dor na barriga. Então, o aluno vai fazer aquele curso médico, e ao fim não vai ter em alguns municípios o albergue indispensável para a formação. É preciso ver de perto as várias doenças que podemos ter nos hospitais. Esses alunos precisam ter esse contato no dia a dia para aprimorar suas funções”, destacou Fernando Hugo.
De acordo com ele, é necessário uma avaliação não mais seletiva, mas mais qualitativa que ao final do curso, que observará a qualidade do grau de conhecimento. “Isso não é tudo, mas podemos dizer que se assemelha ao exame da Ordem dos Advogados do Brasil, podendo o bacharel exercer sua função de fato e de direito”.
Também médico, o deputado Leonardo Pinheiro (Progressistas), afirmou que há uma preocupação constante com a qualidade e humanidade dos profissionais que estão se formando, pois esses estarão com a vida das pessoas nas mãos, o que reflete diretamente na saúde pública para a população. “Eu concordo que, do jeito que estão se proliferando os cursos de Medicina, temos que ter um mecanismo de avaliar a mínima condição de esses profissionais tratarem com a vida”.
Dra. Silvana (PL) ressaltou a necessidade de “combater essa avalanche de faculdades de Medicina”, a maioria sem hospital e sem quadro adequado para acompanhar, ensinar e cobrar desses alunos. “Acredito que poderíamos pedir em requerimento que uma parte dessa prova seja feita de forma prática, pois apenas uma prova escrita não é capaz de avaliar um médico”, salientou.