Exaltava a correção, a decência e a dignidade de seu avô, que morreu pobre, obrigando a família a hipotecar a casa para pagar as despesas com sua doença. O orgulho do neto, ícone da arquitetura mundial, decorria de uma honra em poder usar o nome deixado pelo avô. A herança não foi em dinheiro nem em patrimônio.
A mesma sensação de orgulho e superioridade foi sentida pelo servidor aposentado da Codevasf, Paulo José Rocha Brasil, ao ser abordado mais de 50 anos após seu pai, Zé Rocha, ter sido prefeito no Município de Rio Paranaíba, em Minas Gerais, por um idoso daquela localidade, que testemunhara o seu exemplo na aplicação correta do dinheiro da população. Ao filho do antigo político, aquele reconhecimento impactou sua alma, propiciando uma sensação de bem-estar e de superioridade. Nada mais gratificante do que o conceito legado por seu saudoso pai, reconhecido e exaltado pelos seus contemporâneos.
Infelizmente, muitos governantes não se preocupam com a vergonha a ser suportada pelos filhos e netos, no curso da vida, por suas práticas indecorosas. Utilizam, vergonhosamente, o poder para favorecimento pessoal ou desvios de dinheiro da população. Não se dão conta de que a honra, o conceito do nome, a reputação digna valem muito mais do que qualquer valor monetário ou bens deixados aos descendentes, sobretudo quando obtidos mediante assalto aos tributos pagos pelos contribuintes.
Aqueles que lançam a política nas páginas policiais, ao cometerem crimes por exercerem o poder em detrimento do interesse superior da coletividade, não percebem o mal-estar que causarão aos filhos e familiares ao longo do tempo. Não imaginam o vexame a ser suportado por seus descendentes com a divulgação de seus delitos nas redes sociais.
Podem, é certo, não serem alcançados por punição de natureza penal em decorrência de inoperância do aparato repressor do Estado, mas a sanção social decorrente da revelação de seus delitos, esta, sim, é insuportável. Basta avaliar a desolação e o constrangimento de uma criança na escola, sendo indagada por seus colegas de sala sobre os atos criminosos de seu pai, responsável por desvio de dinheiro da educação, de respiradores, das estradas ou de medicamentos. É, por certo, uma dor indescritível.
Passa da hora, portanto, das escolas e universidades de todo o Brasil darem ênfase à educação para a cidadania, prevista no art. 205 da Constituição, com especial destaque para a aplicação correta das verbas públicas. Somente assim, será possível combater, de forma eficaz, as desigualdades, reduzir a pobreza e impedir que os filhos suportem o dissabor e a humilhação causadas pelas ações desonestas de seus pais, praticadas na condução dos negócios públicos.
Advogado, autor de diversos livros entre os quais: Ética na Política, Distorções do Poder, A Cidade da Juventude, O Direito e o Comprovante Impresso do Voto, ex-Procurador Geral do Estado do Ceará.

Congratulações parentais
Realmente, amigo, hoje vivemos uma inversão de valores. Além desses comportamentos vergonhosos das atuaisautoridades, o Estado quer submeter os vulneráveis à estagnação social. Os beneficiados não querem trabalhar preferindo o bolsa família, etc. Antigamente eu cresci sem hospital público descente, cesta básica entre outras mil benesses do governo.