O eleitorado de Fortaleza elegeu o Evandro Leitão (PT) prefeito da Capital cearense, pelos seus méritos, ou pelos apoios do presidente Lula, do governador Elmano, e das demais lideranças políticas que o apoiaram? Ou o elegeram pelo temor de fortalecer a direita, liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), representada na disputa municipal pelo candidato André Fernandes? Que outros fatores, se é que tivemos, preponderaram para eleitor mudar sua posição, no curto espaço de campanha do primeiro para o segundo turno? Novas informações esclarecedoras sobre os dois concorrentes, ou o poder econômico?
Vencedores e vencidos, se não quiserem passar pelas mesmas dificuldades, precisam ter um estudo sobre a nova realidade. O candidato André Fernandes ameaçou derrotar Evandro Leitão, por este ser considerado velho na política, e a sociedade encontrar no novo uma oportunidade de mudar o modelo da gestão municipal, semelhante ao estadual, posto ambos terem nascido dos mesmos grupos políticos, que até 2022, eram um só: “farinha do mesmo saco”.
É bem provável que o desejo de mudança na gestão, seja uma das questões. E as outras? O desgaste do PT, que peso tem? Bem, as respostas eu não as tenho, mas a Sociologia e a Ciência Política responderão assim que forem provocadas. O governador Elmano, no momento, é quem mais precisa dessas e de outras respostas, pois, pretendendo ser candidato à reeleição, em 2026, de imediato precisa se amoldar à nova realidade, para não ficar tão dependente da liderança do presidente Lula, que já não mostra a mesma vitalidade política de 2022, capaz de elegê-lo governador, pouco tempo depois de ter amargado uma derrota para a Prefeitura de Caucaia.
Evandro que assume a Prefeitura de Fortaleza, no primeiro dia de 2025, cheio de compromissos de campanha, também precisará de estar conectado com a nova realidade. Os recursos financeiros do Município de Fortaleza, não lhes permitirão fazer a metade do que prometeu na campanha. Os governos federal e estadual, têm muito pouco para oferecer, embora as portas do Palácio do Planalto estejam abertas ao prefeito, como disse o presidente Lula nesta campanha, em Fortaleza.
A mesma preocupação de mudança de comportamento é exigida da oposição, sob pena de sucumbir, mesmo com o eleitorado da Capital divido ao meio, posto Evandro ter vencido a disputa com menos de um ponto percentual de vantagem. Além do mais, os velhos políticos que fazem parte do Governo do Estado, pela rejeição que experimentam, estão próximo do fim de validade (Eunício Oliveira, José Guimarães, e outros). O Estado precisa de novos quadros. A força demonstrada pelo André Fernandes, na disputa pela Prefeitura de Fortaleza, pode ser uma das lições das urnas.