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Cid e Ciro Gomes estão repetindo o trajeto político feito, no início dos anos 2000, no Paraná,  dos irmãos Álvaro Dias e Osmar Dias. Dominaram politicamente aquele Estado por vários anos, Uma era governador e o outro era senador. Numa mesma legislatura, os dois ocuparam cadeiras no Senado Federal com as mesmas ideias e projetos, mas, de repente, coisas da política local os separaram, e os dois acabaram fazendo políticas em lados opostos. Não se deram bem, e anteciparam o fim do reinado político.

No Ceará, o senador Cid Gomes faz política na sombra do irmão Ciro Gomes, desde que este foi candidato a governador do Ceará, eleito em 1990. Cid, antes de ser  eleger deputado estadual, aproveitando a campanha de governador do irmão Ciro, amargou uma derrota política, como candidato a vice-prefeito de Sobral, na chapa encabeçada pelo ex-deputado federal Padre José Linhares Pontes. Sua subida foi meteórica. Depois de chegar à presidência da Assembleia, voltou a disputar mandato municipal, dessa feita como candidato a prefeito de Sobral, em 1996. Foi eleito e reeleito, em seguida, após o que começou a trabalhar uma candidatura ao Governo do Estado, em 2006, sendo eleito e reeleito, enquanto Ciro tentava ser eleito Presidente da República, sem sucesso.

Ciro era o líder, mas quem dava as carta na política local era o Cid, sempre aliado ao irmão presidenciável, até 2022, quando romperam. Neste ano, Cid trocou de líder, passando a satisfazer os interesses rancorosos de Camilo, obcecado em dar o troco em Roberto Cláudio, o instrumento de Ciro para derrotar Eunício Oliveira, o candidato de Camilo para o Senado, que acabou derrotado pelo neófito Eduardo Girão. Cid, enquanto Governador do Estado, insistia em dizer que Roberto Cláudio era o melhor nome para governar o Ceará, mas de repente, mudou de ideia, e, isolado da campanha de 2002, acabou prejudicando o irmão Ciro, que disputava a presidência da República, e teve, no Ceará, o seu pior resultado eleitoral de todas as outras disputas presidenciais.

Os irmãos romperam. E a tradição familiar em conflitos, dá a impressão de que não se reconciliarão, embora mantenham-se respeito um com o outro. Foi assim que aconteceu com o rompimento dopai deles, ex-prefeito de Sobral, José Euclides Ferreira Gomes, com o tio deputado João Frederico Ferreira Gomes, que morreram rompidos, porém sem agressões pessoais. A campanha eleitoral deste ano será o mais importante momento para se saber se a trégua ora experimentada, será ou não duradoura.

A candidatura de Ciro une, publicamente, todos os demais irmãos  ( Lúcio Gomes, Ivo Gomes e Lia Gomes). Lucio, o único que nunca disputou mandato eletivo, tem o respeito de todos os demais, inclusive de Ciro e Cid. Lúcio, dizem amigos da família, tem conversado com todos sobre a necessidade de unirem-se em torno da candidatura de Ciro ao Governo do Estado.  Cid tem dito que apoiará a candidatura do governador  Elmano à reeleição, mas ainda há situações conflituosas quanto a esse apoio. O senador ainda não se reconciliou com o seu ex-liderado  Camilo Santana. Os dois não estarão no mesmo palanque, e Camilo não será preterido por Elmano, para ter Cid como coordenador de sua campanha.

Ciro, até o momento tem poupado Cid dos ataques que faz a Camilo Santana. Mas até quando o candidato Ciro poupará o seu adversário C id, se ele ficar mesmo no palanque de Elmano. Cid é quem sustenta os acusados de crimes contra a administração pública no PSB, mas Ciro só acusa o ex-deputado Eudoro Santana, de ser o acobertador do deputado federal Júnior Mano, do prefeito eleito e cassado de Choró, no Interior cearense, Bebeto Queiroz, e outros, quando ele próprio sabe que eles são albergados pelo irmão, assim como o pessoal do Município de Santa Quitéria, o ex-prefeito Braguinha, e o seu filho, atual prefeito, acusados de ligação com o crime organizado.