
Hospitais universitários avançam em pesquisas de novos métodos de diagnóstico e tratamento, que podem transformar o cuidado. Fonte: Freepik
No Dia Nacional de Combate ao Câncer, celebrado em 27 de novembro, hospitais universitários vinculados à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) destacam que o enfrentamento à doença também ocorre nos centros de pesquisa, onde equipes multidisciplinares dedicam-se a transformar o cuidado oncológico. Por meio da ciência e da inovação, novas metodologias buscam oferecer tratamentos mais eficazes, menos agressivos e com mais capacidade de prever a evolução de tumores.
Em Santa Catarina, o Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU-UFSC) desenvolveu uma metodologia para investigar células circulantes de câncer de mama no sangue periférico.
O objetivo é identificar precocemente a presença de células tumorais e a relação com o risco de metástase em pessoas com diagnóstico de Carcinoma Ductal Invasivo (CDI), o tipo mais comum de câncer na população feminina em todo o mundo.
O estudo, publicado em maio na revista da Royal Society of Chemistry , uma das mais importantes organizações científicas do Reino Unido, avaliou 62 pacientes tratadas no HU-UFSC, sendo 47 casos de CDI e 15 pacientes no grupo controle. A pesquisa teve como foco a identificação das células citoqueratina 19 (CK19) por meio da Citometria de Fluxo (CF), ferramenta utilizada na análise de tumores hematológicos que detalha as subpopulações em um curto período.
“Neste estudo em tumores de mama, buscou-se identificar populações celulares positivas para proteína CK19, reconhecida como biomarcador-chave na avaliação do potencial metastático desses tumores”, disse a médica patologista e uma das pesquisadoras, Daniella Serafin Couto Vieira.
Ela explicou que o diferencial da técnica, ainda experimental, está na sua viabilidade para casos de tumores sólidos (não hematológicos). “Em comparação com outras metodologias, a inovação reside principalmente na sua simplicidade, baixo custo e eficácia, utilizando um painel de anticorpos reduzido em Citometria de Fluxo, com alta sensibilidade e reprodutibilidade”, afirmou.
A abordagem utiliza o procedimento metodológico de bulk-lysis , ou lise em massa, que quebra simultaneamente várias células da amostra de sangue periférico. “A metodologia ainda necessita de estudos complementares de validação interna e externa, mas poderá, no futuro, ser implementada em instituições com Citômetro de Fluxo. O uso do bulk-lysis e de apenas três anticorpos torna o processo rápido e econômico, sem a necessidade de plataformas microfluídicas caras ou etapas de separação celular, complexas”, detalha.
Fonte:Agência Gov.