A taxação de Trump aos produtos brasileiros foi tema central da sessão desta quinta-feira. Foto: ALECE

A sessão plenária da Assembleia Legislativa, nesta quinta-feira (10), foi marcada por diversos discursos contra as ameaças do presidente dos Estados Unidos, que prometeu taxar produtos brasileiros em 50%. A maioria dos deputados assinou manifesto em defesa da soberania brasileira. Bolsonaristas e outros opositores, por outro lado, criticaram a ação.

O deputado Acrísio Sena (PT) chamou de “chantagens”, as medidas anunciadas por Trump. O petista chamou a atenção para o fato de que, desde 2009, o relacionamento comercial do Brasil com os Estados Unidos é marcado por predominância da economia norte-americana, segundo números da série histórica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

“É uma relação superavitária para os Estados Unidos, sendo uma relação muito vantajosa para eles. A determinação de um tarifaço de chantagem, tentando intervir na nossa soberania, é inaceitável. Por isso, eu acho que as casas legislativas do Brasil, o Congresso Nacional, têm que fazer uma manifestação de repúdio a essa atitude criminosa do presidente Trump nesse tarifaço”.

De Assis Diniz (PT) classificou a medida como “um escândalo, um ato abominável” e defendeu a soberania nacional frente a política externa dos Estados Unidos.

Segundo o parlamentar, a argumentação para o tarifaço é política, e não econômica, como apontado pelo vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2008, o economista americano Paul Krugman. Para o deputado, a decisão dos EUA tem relação direta com os avanços do Brasil e de outros países no bloco BRICS, que anunciou recentemente a criação de uma moeda alternativa ao dólar.

Guilherme Sampaio (PT), por sua vez, repudiou a medida do presidente norte-americano. Para ele, a iniciativa é “irresponsável e injustificável”. “As empresas americanas compram aço, calçados, é uma cadeia produtiva organizada afetada por medidas tomadas por ele da mesma forma desde quando assumiu o mandato”, protestou.

“É lamentável que a maior potência econômica seja governada por Trump. Os impactos para o multilateralismo, para o comércio internacional, para o mínimo de urbanidade, solidariedade, respeito e elegância. Os países podem divergir pontualmente de opinião, mas os governos jamais podem prejudicar o comércio entre os seus povos”, contestou.

Ele também criticou o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro por defender as medidas de Trump. “Eu fiquei estupefato ao me deparar com o Eduardo Bolsonaro passar pano para as medidas de Trump contra as empresas brasileiras que vão gerar desemprego para defender seu pai. Ele foi lamber as botas do Trump para pedir medidas contra a justiça brasileira. Ou seja, cometeu o crime de lesa pátria por pedir interferência no judiciário brasileiro”.

Já a oposição não concordou com o manifesto e criticou a ação impetrada pelo presidente da Mesa Diretora, Romeu Aldigueri (PSB). Para Alcides Fernandes (PL) e Carmelo Neto (PL), a culpa pelo estremecimento das relações entre Brasil e Estados Unidos seria pela falta de diplomacia do Governo Lula. “Esse manifesto vai chegar onde? Nós temos é que cuidar de fazermos o dever de casa”, defendeu Alcides.

Para Queiroz Filho (PDT), ainda que não concorde, é direito do governo norte-americano definir sobre a taxação de produtos exportados para o país. “Não é papel nosso, não quero ser elemento que está jogando lenha na fogueira em algo que considero muito sério. Um bocado aqui não tem coragem de assinar CPI contra o narcotráfico, mas agora tá cheio de coragem. Isso está sendo usado de forma política”, pontuou.