Ciro Gomes, em recente encontro estadual do PSDB, disse em voz alta, que obras do Governo do Estado, de responsabilidades da Superintendência de Obras, do Detran e da Cagece, só seriam feitas se houvesse pagamento de “propinas”. Ele repetiu, a grave acusação, em todos espaços possíveis, como que querendo insultar o Governo, a chamá-lo a provar o que disse. Mas o Governo também não fez, sequer o mínimo que poderia ter feito: afastar o denunciado e instaurar um processo administrativo para que o seu auxiliar, provasse não ser o corrupto que estava sendo denunciado. Elmano, como menino teimoso, preferiu assumir o ônus, mantendo, por mais um tempo, o “suspeito” de corrupção, no seu Governo.

Ciro Gomes, o ex-governador, prefeito de Fortaleza, deputado estadual e federal, e também Ministro da Fazenda, pode até ser, como dizem alguns, um “falastrão”, mas qualquer acusação que ele, ou um outro cidadão faça, notadamente na esfera pública, deve ser investigada, até, para, se for o caso desmoralizar o denunciante, se estiver faltando com a verdade, e garantir a respeitabilidade do denunciado e da própria administração. Qualquer servidor denunciado por crime contra a administração pública, precisa ser investigado. O público é diferente do privado, óbvio. Neste, o ônus da prova é de quem acusa. Naquele, o acusado é quem precisa provar de não ter cometido o o crime de que é acusado.

Ciro, até pelas posições políticas que já ocupou, tem muitas informações. E o Quintino, que agora é acusado, ele conhece bem. Foi sua cria, e por isso diga que já fez a “mea-culpa”. Quintino, quando era pobre, serviu de motorista para o dr. José Euclides. Da família, aquele velho motorista, parece não ter a amizade de ninguém. O primeiro irmão de Ciro a demonstrar repulsa foi Lúcio Gomes, que não o aceitou como integrante da secretaria de Infraestrutura do Estado. Lúcio foi nomeado secretário pelo ex-governador Camilo Santana e só aceitou o cargo se na Pasta não tivesse Quintino. Camilo mudou o Organograma do Governo e locou o Quintino e a Superintendência de Obras na secretaria das Cidades.

Quintino conhece muito de situações impublicáveis de campanhas eleitorais do grupo governista e de pedetistas, quando ele era protagonista. Talvez, por isso, algumas pessoas duvidassem da exoneração dele, e outros, estejam encontrando lugar que parecesse compensação, inclusive para coordenador a próxima campanha. Mas o Ciro não atacou apenas o Quintino. No mesmo tom ele apontou os dirigentes do Detran e da Cagece. Será preciso o ex-governador continuar denunciando corrupção naqueles dois órgãos, ou as acusações contra o Quintino, preocuparam mais ao governador que as contra o Detran e a Cagece.