O prefeito Sarto esteve no IJF para visitar vítimas de tentativa de homicídio. Já Evandro Leitão criticou uso político do momento. Foto: ALCE

A violência registrada no Ceará nos últimos dias, especialmente em Fortaleza e Região Metropolitana, gerou uma mobilização de agentes políticos de todas as matizes ideológicas. Enquanto a oposição cobrou mais empenho do governador Elmano de Freitas e medidas concretas para garantia da segurança, base governista lamentou o uso “politiqueiro” do assunto.

Chamou a atenção da classe política o assassinato de oito pessoas (uma morreu no hospital) que estavam em praça no Município de Viçosa do Ceará, no Interior do Estado. A chacina ocorreu no dia em que o presidente da República, Lula, visitou a cidade de Fortaleza, o que fez, inclusive, o chefe do Executivo Federal se posicionar sobre o tema. O petista chegou a dizer que pretende criar um plano de segurança, em debate com governadores, ex-governadores e o Ministério da Justiça. A reunião não tem data pra acontecer.

Um dia depois, na sexta-feira à noite, foi a vez de uma tentativa de chacina em Fortaleza, que deixou uma criança e uma idosa mortas em uma Areninha no bairro Barroso, além de oito feridos. Os casos geraram mobilização por parte do Governo do Estado, com o governador Elmano de Freitas se reunindo com toda a cúpula da Segurança Pública durante todo o fim de semana e na manhã desta segunda-feira (24). Ele apresentou algumas medidas, como maior participação das policias cearenses nas ruas da cidade, além da contratação de mais agentes de Segurança.

O posicionamento do governador, porém, não evitou críticas e mais críticas de opositores, principalmente, aqueles ligados à Segurança Pública. Um desses foi Capitão Wagner (União), pré-candidato a prefeito de Fortaleza. Ele citou o que virou um certo mantra entre os críticos da gestão Elmano, criticando as falas do chefe do Poder Executivo e defendendo mais ação.

André Fernandes (PL) e Eduardo Girão (NOVO), também pré-candidatos a prefeito de Fortaleza, também fizeram críticas à gestão da Segurança Pública no Ceará, apontando o tempo em que o Partido dos Trabalhadores (PT) comandante o Governo do Estado no Ceará. Presidente do PDT de Fortaleza, Roberto Cláudio fez sua crítica. Já o prefeito Sarto, pré-candidato à reeleição, visitou as vítimas da tentativa da chacina em Fortaleza, indo até o Instituto Drm José Frota. A ação foi tida por aliados do governador como “politiqueira”.

Pré-candidato do PT a prefeito de Fortaleza, o deputado Evandro Leitão chamou de “oportunistas” aqueles que usaram o assunto para ganho político. “Não ajudam em nada e ainda torcem pelo caos”, disparou. “O prefeito Sarto se aproveita da desgraça alheia para fazer polticagem”, criricou o presidente do Partido dos Trabalhadores em Fortaleza, o deputado Guilherme Sampaio.

“Manifesto intensa preocupação com o agravamento da insegurança pública no Ceará. Espero que o Governo do Estado e todas as instituições ligadas ao direito de ir e vir das pessoas busquem soluções urgentes para esse cenário inaceitável”, se posicionou o presidente nacional do PDT em exercício, o deputado federal André Figueiredo, em um tom mais comedido.

Diferente do que disse o líder pedetista Ciro Gomes, que apontou uma certa conivência das autoridades cearenses com o crime organizado. Segundo ele, há lugares na periferia de Fortaleza em que pretensos candidatos a vereador têm que pagar R$ 60 mil para poderem entrar em determinadas localidades.