
Apesar de ser da base governista, Renato Roseno apresenta pontos dissidentes com a gestão. Foto: ALECE
Membro da base governista, mas com uma atuação independente na Assembleia Legislativa, o deputado Renato Roseno (PSOL) critou, na manhã da quarta-feira (04), o pacote fiscal apresentado pelo ministro da Fazenda Fernando Haddad. O socialista se soma a vozes da oposição e do mercado financeiro, que receberam a proposta com desconfiança.
“O Brasil é capturado por esse lógica do endividamento público, da âncora cambial, da meta da inflação, o que fez com que a gente pagasse R$ 1 trilhão por ano. É isso que constrange o orçamento público, o que gera uma espiral de alta taxa de juros para manter as metas de inflação. O Estado brasileiro criou, na década de 1990, esse tripé macroeconômico, o que faz com que dispare nosso endividamento público”, disse.
Ele lembrou que esse endividamento é pago pelo povo duas vezes, através do pagamento de tributos e do “constrangimento”, visto que, segundo ele, é “dado” ao mercado financeiro. “Hohe, a Quaest soltou pesquisa dizendo que o Mercado financeiro avalia muito mal o governo. Claro, porque pro mercado financeiro não tem limites. O mercado financeiro não gera emprego, ele especula. Pega dinheiro e gera dinheiro, sem passar pela economia clássica real”, disparou.
Ele lamentou o ajuste do salário mínimo, que pode ser limitado, conforme o pacote fiscal apresentado por Haddad. “A revisão a menos do salário mínimo, a diminuição das possibilidades de acessar o BPC (Benefício de Prestação Continuada) e a redução do abono salarial são medidas contra os mais pobres”. Para o parlamentar, o pacote é “contraditório”, pois “o que ele tem de mais positivo” o Congresso vai tardar a votar, que é a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil.
“Não tem adiantado fazer concessões a essa banda do mercado, pois, se ela puder, ela vai esmagar o Governo. Na semana seguinte a entrega de quase tudo que o mercado queria o mercado vai lá e diz que avalia mal o Governo. É um setor antissocialidade, antipovo. Esse é o setor do mercado financeiro aliado ao grande agronegócio. Eles querem voltar a patamares do século XIX, quando havia escravidão”.