Os membros da CPI da Enel durante entrevista coletiva. Foto: ALCE

Após meses de oitivas e investigações, além de muitas idas à tribuna do Plenário 13 de Maio para reiteradas críticas e cobranças, os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investigam os serviços prestados pela empresa Enel apresentarão o relatório na próxima quarta-feira, dia 8 de maio. Na semana passada, o colegiado realizou uma reunião, após convocação, com o novo diretor-presidente da empresa,  José Nunes de Almeida.

De acordo com o presidente da CPI, o deputado Fernando Santana (PT), o documento contempla recomendações para a Enel melhorar a prestação de serviços para a população no Ceará.“O documento será entregue nas mãos de quem pode tomar providências e ainda para a própria Enel. O relatório é duro, firme, contundente e cabe a nós cobrar a empresa ”, defendeu.

Segundo ele, há um compromisso da empresa de investimentos da ordem de R$ 1,5 bilhão para melhoria da prestação dos serviços no Ceará em até três anos. No entanto, para o petista esse montante não é suficiente diante a situação encontrada no Estado.

“Nós achamos pouco o investimento, mas é uma conquista do trabalho da CPI, que cobra com firmeza a melhoria na prestação de serviços. Nós não vamos descansar enquanto a Enel não mudar a forma de trabalhar ou que ela se mude do Ceará”, disse.

Ainda segundo afirmou, o plano operacional da empresa dizia respeito a um investimento no valor total de R$ 4,8 bilhões, bem acima do que foi prometido pelo presidente da empresa em oitiva na semana passada. As críticas de Santana também se voltaram para a  Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que conforme pontuou é um “puxadinho” na defesa das concessionárias. “Ela não é uma agência para defender os interesses da população, mas o das concessionárias”, avaliou

Relator da CPI, o deputado Guilherme Landim (PDT) afirmou que Enel descumpre uma cláusula contratual com o Governo do Estado que obriga a empresa investir um percentual reservado a obras de melhorias na prestação de serviços. “Até isso é descumprido. No relatório, temos hoje 81 obras atrasadas e uma delas está a 10 anos atrasada. Eu não sei o que a Enel precisa fazer para a Aneel ingressar com um processo de caducidade junto a Enel”, questionou.

Plebiscito

Fernando Hugo (PSD), por sua vez, sugeriu ao colegiado que anuncie para a população o relatório com a informação de que os parlamentares não têm força política para encerrar o contrato com a Enel.  Já Renato Roseno (PSOL) voltou a defender a aprovação de um projeto de Decreto de Legislativo que sugere plebiscito para a revisar o modelo de privatização dos serviços essenciais, como também a concessionária nas eleições de 2028.