Adriana Nossa Cara apontou que projeto visava interesses de condomínio próximo ao Parque Rachel de Queiroz. Foto: CMFor

Um projeto de autoria do vereador Adail Júnior (PDT), alterando texto do Plano Diretor de Fortaleza, de 2009, gerou embate entre parlamentares na Câmara Municipal. Apesar das críticas de vereadores alinhados com a causa ambiental, a matéria foi aprovada com 25 votos favoráveis e apenas quatro contrários.

De acordo com o vereador Gabriel Aguiar (PSOL), o projeto exclui uma Zona de Proteção Ambiental (ZPA), que tem como seu objetivo proteger os recursos hídricos e evitar alagamentos. O terreno em questão fica ao lado do Parque Rachel de Queiroz, no bairro Presidente Kennedy, periferia da cidade.

“Estamos discutindo a retirada da proteção ambiental de uma área por Lei. Sou contra essa redução, sobretudo neste momento, em que o Rio Grande do Sul está passando por dificuldades por conta das chuvas e Fortaleza se encontra cada vez mais alagada. Reduzir a proteção ambiental é ir radicalmente na linha contrária à defesa do meio ambiente”, protestou.

Autor do projeto, Adail Júnior acusou críticos da matéria de quererem se beneficiar politicamente da proposta, em busca de “angariar votos”. “Essa Câmara está envergonhada é da votação de vossas excelências. Não estão preocupados com a matéria. Desde quando meu projeto vai causar desmatamento? Ele confunde o eleitorado”, disparou.

Adriana Nossa Cara (PSOL) rebateu as falas de Adail e destacou que estaria cumprindo seu mandato em apoio aos interesses da população  não de um condomínio, visto que o projeto de Adail cita o empreendimento como já sendo instalado no local antes mesmo do Plano Diretor de 2009.  “Alguns vereadores querem legislar para condomínio e nós estaremos na defesa do meio ambiente. Essa área vai se voltar contra o próprio condomínio e vai chegar pelo nível da crise climática que temos aqui.  Se você retira a contenção de alagamento, o alagamento vai voltar contra o próprio condomínio”, disse.

Privada

Presidente da comissão do Meio Ambiente, o vereador Márcio Martins (UB) afirmou que as falas de Adriana deveriam ser encaminhadas para análise da Mesa Diretora, uma vez que ela estaria acusando os parlamentares de estarem legislando para a iniciativa privada. “Se a vereadora conseguir provar que alguém legisla em causa de algum condomínio, quem vai pedir desculpas sou eu. Mas se não, a Mesa Diretora precisa trazer isso para nossas reuniões internas, porque isso leva a população a acreditar que os vereadores da quarta cidade do País estão legislando para condomínio, para a iniciativa privada”.