Márcio Martins é o líder do União Brasil na Câmara de Fortaleza. Foto: CMFor

Capitão Wagner, pré-candidato do União Brasil a prefeito de Fortaleza, não é mais a novidade política de alguns anos atrás e não tem os apoios e lideranças que conquistou em determinado período. Apesar dos pontos negativos, o líder do partido na Câmara Municipal, o vereador Márcio Martins acredita que há possibilidade do dirigente chegar a um segundo turno na disputa pela Prefeitura da Capital cearense.

Em 2020, quando chegou ao segundo turno da disputa pela segunda vez, Wagner conseguiu eleger cinco vereadores para a Câmara de Fortaleza. No entanto, viu esse número ser reduzido para apenas um representante na Casa, que é Márcio Martins. O postulante correu o risco de não ter sequer Martins como aliado no Legislativo Municipal. Atualmente, com a suplente Andreza Matos, são dois os aliados do pré-candidato.

Para Márcio Martins, Wagner deverá ter um tempo de TV razoável, utilizará sua rede social e ainda possui algumas lideranças ao seu lado. “Tem o público evangélico que vota com ele, parte da tropa e isso pode ser suficiente para chegar no segundo turno. Aí algumas coisas ficam mais simples para ele”, apostou.

Um receio do vereador, porém, é que durante o processo eleitoral aqueles políticos mais à direita, especialmente os bolsonaristas, passem a se digladiar entre si, o que, em sua avaliação, beneficiaria apenas nomes que estão fora desse campo político.

“Tenho dito ao Alberto, ao Julierme e à Priscila para não nos maltratarmos. Se a direita for fazer um processo de autofagia, renegarem a política dentro da política, cutucarem pessoas que virarão inimigas gratuitas deles. Se for adotado na Câmara ou no geral, corre o risco de a direita ficar de fora”, apontou.

Na avaliação dele, quem subir até 22% de aceitação do eleitorado em pesquisas, pode estar no segundo turno. “Os extremos vão investir pesado para polarizar. O Sarto é o maior adversário do Evandro. É o voto da máquina e progressista. O cara amarrado em Prefeitura e o outro tem a máquina do Estado. Os dois da direita, que não têm máquina, vão disputar o voto conservador. O bolsonarista raiz vai de André, e o Wagner tem um tipo de eleitor que é dele. Não é do Bolsonaro, não é da direita, não é do conservadorismo”, avaliou.

Segundo afirmou, o trabalho que Wagner tem que fazer é o de mostrar que não é candidato de ninguém, como tentou emplacar na disputa de 2022. Segundo Martins, em Fortaleza haverá o candidato do Lula, do Ciro e do Bolsonaro, enquanto que o dirigente do União Brasil seria postulante sem padrinho político.

Ainda de acordo com Martins, durante o processo eleitoral pode ser que a direita se maltrate e fique um clima complicado. No entanto, em caso de André Fernandes não ir ao segundo turno e ficando neutro, o eleitorado bolsonarista pode apoiar Wagner, caso ele vá para um segundo momento da disputa, visto ser um voto anti-PT.

2026

“O Wagner, pelo recall que tem, tem chance de disputa. Óbvio que ele não tem o apoio que teve há quatro anos, oito anos. É legítimo e natural que o eleitor bolsonarista busque pelo seu. Seria extremamente contraditório eles não terem o candidato deles. Até porque as eleições de 2024 são um degrau para a disputa de 2026”.

Ainda segundo o vereador, Wagner nunca foi bolsonarista orgânico e tem um percentual de independência que não aceita o que chamou de “combo bolsonarisa”. “Eu tenho uma boa relação com os bolsonaristas da Casa, mas não compro tudo. Sou de centro-direita”, explicou.