Senadores e ex-presidentes do Senado receberam nesta terça-feira (5) medalhas comemorativas dos 200 anos da Casa. Em quantidade limitada, as medalhas, feitas pela Casa da Moeda, são concedidas como forma de agradecimento e reconhecimento pelo apoio à atividade legislativa e política. O lançamento das medalhas é parte das comemorações do bicentenário do Senado — criado em 25 de março de 1824, quando foi outorgada a  primeira Constituição do Brasil.

Durante o lançamento, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, afirmou que logo após a criação da Casa, pela primeira vez, brasileiros puderam tomar as decisões em nome de um país independente. Ao longo dos seus 200 anos de história, lembrou Pacheco, o Congresso Nacional foi dissolvido e fechado, e parlamentares tiveram seus mandatos cassados. Também houve momentos mais recentes de ataque à democracia, como o 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas.

— Muitos, lamentavelmente, ainda veem a democracia como um defeito no nosso país. Discordo completamente dessa ideia. Por mais problemas que tenha o nosso Brasil (e são muitos, a começar pela brutal desigualdade social), defender a democracia significa, antes de mais nada, ter fé e acreditar no potencial de nosso povo. O Brasil e o brasileiro não precisam de tutela nem de tutores. Por isso é tão importante a cerimônia de hoje. É preciso reforçar os nossos símbolos e ter orgulho do que eles significam! — disse Pacheco, durante a cerimônia de lançamento das medalhas.

Homenageados

Na cerimônia, todos os atuais senadores e vários ex-presidentes da Casa receberam as medalhas confeccionadas em vermeil (prata dourada). Entre os ex-presidentes do Senado que receberam a homenagem, estavam os ex-senadores Mauro Benevides (1991 a 1993), Tião Viana (2001), Edison Lobão (2001), Garibaldi Alves Filho (2007 a 2009) e Eunício Oliveira (2017 a 2019).

Também receberam a medalha na condição de ex-presidentes da Casa os atuais senadores Jader Barbalho (MDB-PA), que presidiu o Senado em 2001; Renan Calheiros (MDB-AL), que ocupou a presidência entre 2005 e 2007 e entre 2013 e 2017; e Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado entre 2019 e 2021.

A deputada federal Roseana Sarney (MDB-MA) recebeu a medalha em nome do pai, o ex-senador e ex-presidente da República José Sarney, que presidiu o Senado de 1995 a 1997, de 2003 a 2005 e de 2009 a 2013.

Ao falar em nome de todos os ex-presidentes homenageados, o senador Jader Barbalho fez uma homenagem a Sarney, que, na sua visão, atuou à frente da Casa em um momento difícil de transição política do país, após a ditadura. Para Jader Barbalho, um país, para ter cidadania, precisa cultivar sua história, e a história do  Senado, nestes 200 anos, se confunde com a história do Brasil.

— Esta Casa efetivamente representa a Federação, porque é igualitária na representação dos estados. Que esta festa possa representar a renovação dos cumprimentos do Senado Federal com a democracia brasileira, com a luta pelo combate à desigualdade social e pela manutenção firme das nossas liberdades — disse Jader.

Após a cerimônia, o ex-senador Mauro Benevides afirmou que o Senado continua a ser uma Casa de decisões, com sensibilidade para acolher as pretensões do povo brasileiro. Para ele, é importante ouvir a voz do povo para beneficiar não só os estados, mas também o país.

A ex-senadora Roseana Sarney, por sua vez, relatou ter acompanhado o Senado praticamente desde que nasceu, por conta de seu pai. Na visão dela, o Senado evolui, acompanhando a evolução da sociedade. A Casa, disse Roseana, contribuiu para que o país pudesse viver, hoje, a democracia plena.

Tiragem limitada

Com tiragem limitada, as medalhas do bicentenário do Senado têm numeração no bordo e possuem certificado de autenticidade fornecido pela Casa da Moeda do Brasil. Ao todo, foram produzidas 120 medalhas de prata dourada, 120 de prata e 400 de bronze. Cem das medalhas de bronze serão colocadas à venda a preço de custo. A data de início da venda ainda não foi definida.

Presente na cerimônia, o presidente da Casa da Moeda, Sérgio Perini Rodrigues, disse que a comemoração é uma forma de reconhecer e enaltecer a relevância das instituições que moldaram e continuam a moldar o Brasil. Para ele, as medalhas eternizam em metais nobres os momentos marcantes que definiram a história do Senado.

— O Senado é uma pedra angular da democracia brasileira. As decisões do debate que ocorre nestas dependências não apenas influenciam, mas definem a trajetória do nosso país, promovendo a estabilidade política e a justiça social. Neste momento de celebração, ao lançarmos a medalha comemorativa em alusão aos 200 anos do Senado Federal, reafirmamos nosso compromisso com os valores democráticos e com a preservação da história nacional — afirmou Rodrigues.

As Casas do Senado

A série tem como tema “As Casas do Senado”. São três modelos diferentes, cada um deles retratando uma das sedes ocupadas pela instituição ao longo de sua história. A versão em vermeil, recebida pelos senadores e ex-presidentes, retrata a sede atual, o Palácio do Congresso Nacional, em Brasília. A medalha feita de prata traz a fachada do Palácio Monroe, no Rio de Janeiro, que foi sede do Senado entre 1925 a 1960. E a medalha feita de bronze traz o Palácio Conde dos Arcos, também no Rio de Janeiro, ocupado pelo Senado entre 1826 e 1925.

As fachadas são retratadas no anverso das medalhas. No lado reverso, o desenho traz elementos modernistas, característicos da arquitetura da atual Casa, com a inscrição “200 anos do Senado”. O projeto artístico foi desenvolvido por Glória Dias e a modelagem por Fernanda Costa e Érika Takeyama, da equipe da Casa da Moeda do Brasil (CMB), que cunhou todas as medalhas.

Durante a cerimônia, os cunhos usados para a produção das medalhas foram descaracterizados, como ato simbólico para assegurar a limitação da tiragem.

Fonte: Agência Senado