Membros do PT e do PSOL fazem parte da chamada “oposição de esquerda” à gestão do perfeito Sarto. Foto: Miguel Martins.

As bancadas do PT e do PSOL na Câmara Municipal de Fortaleza resolveram, em comum acordo, não assinar o requerimento para instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que teria como objetivo investigar pessoas que furaram a fila da vacinação na Capital cearense.

Com isso, a investigação proposta pode nem ser iniciada, já que a oposição não tem número suficiente de assinaturas para que o colegiado ser instalado.

De acordo com o autor do requerimento, o vereador Julierme Sena (PROS), ele já teria conseguido dez assinaturas, faltando outras cinco. O parlamentar, porém, não repassou para o Blog do Edison Silva os nomes daqueles que teriam assinado o pedido de investigação.

PT e PSOL, juntos, por outro lado, possuem um total de cinco membros na Casa Legislativa, o que faria com que o pedido começasse a tramitar no Legislativo Municipal.

Segundo Julierme, o intuito da CPI seria investigar possíveis irregularidades no Plano Nacional de Vacinação instalado em Fortaleza, visto às denúncias feitas por diversos fortalezenses.

O caso que mais chamou atenção, diz respeito à imunização da influenciadora digital Thyane Dantas, esposa do cantor Wesley Safadão que foi vacinada antes da data agendada pela Prefeitura de Fortaleza.

Para os membros de PSOL e do PT, o Ministério Público já está investigando esse e outros casos, assim como a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Sem o apoio da chamada “oposição de esquerda”, membros do PROS e Republicanos, da “oposição de direita”, esperam conseguir assinaturas de governistas mais independentes na Casa Legislativa, o que também não será tarefa fácil.

Veja nota enviada ao Blog com explicações de parte da oposição sobre as negativas para assinar o requerimento para instalação da CPI:

“Nós não assinaremos o requerimento de instalação da ‘’CPI do fura-fila’’.

Avaliamos como da maior seriedade a conduta ilegal de furar a fila e de escolher a vacina que mais apetece, na prática conhecida como ‘sommelier de vacina” e estamos trabalhando, desde o início da vacinação no Brasil, com muita rigorosidade contra essa prática, com inúmeros ofícios, requerimentos e projetos hoje em tramitação. É também por essa atuação que temos hoje dezenas de casos dessa categoria sendo investigados no Ministério Público, a correta instituição para receber as denúncias.

A CPI teria a responsabilidade de investigar e levantar fatos para levar ao Ministério Público, porém o Ministério Público já está com esses casos em mãos, não havendo sentido em retomar uma etapa atrasada do processo. Estamos em outra etapa, de cobrar a apuração do MP e trabalhar com seriedade para criar mecanismos para que novos casos não ocorram.

A ferramenta CPI está em alta devido à importante iniciativa de investigar os crimes do Governo Bolsonaro na gestão da pandemia, que envolvem a postura constante e ainda corrente do Presidente em agir a favor do vírus, boicotar a chegada de vacinas, ser contra o uso de máscaras, defender remédios que não funcionam, promover e incentivar aglomerações e disseminar constantemente mentiras sobre a pandemia.

Tais ações já custaram a vida de centenas de milhares de brasileiros e brasileiras, afetaram fatalmente a nossa economia, resultaram em centenas de milhares de pessoas com severas sequelas e até hoje toda a população sofre das mais diversas formas com a corrupção generalizada e com a sabotagem sistêmica desse governo. Isso tudo é motivo em excesso para a instalação de uma CPI federal e para uma punição exemplar de quem deveria zelar pela população e está fazendo o oposto.

No caso de Fortaleza, os ‘’fura-fila’’ e os ‘’sommeliers de vacina’’ não podem ser caracterizados como corrupção generalizada da gestão ou sabotagem sistêmica do poder público, mas sim fatos graves, porem desconectados, de indivíduos que burlaram a gestão do executivo municipal.

A criação de tal CPI atrapalharia o processo investigativo, tiraria a responsabilidade dos indivíduos infratores da sociedade civil e atribuiria a responsabilidade à gestão municipal, que tenta realizar o trabalho que o Governo Federal não apenas não está fazendo, como está todos os dias atrapalhando.

Portanto, entendemos que o foco deve ser na CPI federal para investigar a corrupção e os demais crimes do Governo Bolsonaro, enquanto aqui devemos cobrar rigor máximo na investigação das pessoas envolvidas em casos de desrespeito à fila das vacinas, bem como no fortalecimento de mecanismos que impeçam tal conduta. É nesse norte que estamos atuando diuturnamente.”