O governo Bolsonaro comprou R$ 15 milhões de leite condensado. Foto: Reprodução/ConJur.

Deputados federais do PSol pediram nesta terça-feira (26) que o procurador-geral da República, Augusto Aras, investigue as compras de alimentos e bebidas pelo governo Jair Bolsonaro em 2020. Segundo o site Metrópoles, a Presidência da República e os ministros gastaram mais de R$ 1,8 bilhão no ano passado, um aumento de 20% em relação a 2019.

Na reportagem, o veículo apontou que o Governo Federal despendeu R$ 123,2 milhões em sobremesas (sorvete, picolé, fruta em calda, doce em tablete, cristalizado, para cobertura, granulado ou confeitado); R$ 45,2 milhões em embutidos; R$ 35,5 milhões em peixes; R$ 32,7 milhões em pizza e refrigerante, R$ 15 milhões em leite condensado e R$ 2,2 milhões em chicletes, entre outros itens.

No ofício, os deputados do PSol, David Miranda (RJ), Fernanda Melchionna (RS), Sâmia Bonfim (SP) e Viviane Reis (PA) afirmam que, enquanto o governo elevou os gastos com “guloseimas”, gerou o aumento da pobreza e da fome por meio da ineficiência no combate à Covid-19, do incremento do desemprego, dos cortes de orçamento da agricultura familiar e das políticas neoliberais do Ministério da Economia.

“Tal situação de caos e fome, aliada à atual crise sanitária decorrente da Covid-19, evidencia mais ainda o grau de desigualdade, o grau absurdo de pobreza e falta de condições da população trabalhadora de viver uma vida digna”, destacaram os parlamentares.

Outro exemplo do “enorme descompasso” entre os investimentos em políticas públicas e os gastos do governo Bolsonaro com compras de alimentos e bebidas, conforme os deputados, foi a recente crise de oxigênio no Amazonas, que motivou a abertura de inquérito da PGR para investigar a conduta do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Os integrantes do PSol também ressaltaram que, em contraste ao empobrecimento da população, o Governo gastou R$ 15 milhões com leite condensado, e o Ministério da Defesa, R$ 2,5 milhões com vinhos. A pasta alegou, em nota, que forneceu alimentação que permite que os funcionários estejam saudáveis para exercer suas atividades. “Tem-se, portanto, salvo melhor juízo, que vinhos fazem parte da dieta de militares e servidores civis, num completo descaso com o erário que beira o escárnio”, criticaram os deputados.

De acordo com eles, os gastos do governo Bolsonaro com comidas e bebidas são exemplos da violação de diversos princípios constitucionais, como o da economicidade e o da moralidade administrativa, além de possivelmente contrariarem outros dispositivos da Constituição e da legislação.

Fonte: site ConJur.