Bancada do PSOL na Câmara de Fortaleza quer "barrar retrocessos e avançar nos direitos sociais" - Blog Edison Silva

Bancada do PSOL na Câmara de Fortaleza quer “barrar retrocessos e avançar nos direitos sociais”

As representantes do mandato coletivo “Nossa Cara” ao lado de Gabriel Aguiar. Foto: Reprodução/Instagram.

Depois de toda uma Legislatura sem representantes na Câmara Municipal de Fortaleza, o Partido Socialismo e Liberdade, o PSOL, volta a ter uma bancada de dois parlamentares na Casa Legislativa. Com foco nos direitos socioambientais, de raça e gênero, Adriana do “Nossa Cara” e Gabriel Aguiar são rostos novos da política local, e pretendem realizar uma oposição programática, buscando mudanças estruturais na sociedade fortalezense.

Para início de conversa, a vereadora Adriana faz parte de um movimento novo na política brasileira, o chamado “mandato coletivo”, onde ela deve tocar as pautas como parlamentar junto com as colegas Louise Santana e Lila Beserra. Ainda não há amparo legal para este tipo de atuação nas casas legislativas brasileiras, mas é uma prática em expansão por todo o País.

“A gente vai, obviamente observar o Regimento da Casa, mas o Nossa Cara entra para propor essa nova perspectiva política de um mandato mais participativo, de rostos populares, de mulheres negras aqui na Casa”, disse Adriana ao Blog do Edison Silva, destacando que mesmo sendo a maioria da população, a representatividade negra nas casas legislativas ainda é insuficiente.

Lila Beserra afirmou que as pautas que serão levadas à Câmara tanto pelo trio quanto por Gabriel Aguiar vão interagir entre si. “A questão do meio ambiente não é distante da questão de raça, de gênero. A gente vai trabalhar isso junto, não só como PSOL, mas junto com a galera do PT”, disse ela ressaltando que direitos humanos, cultura, meio ambiente e direitos da cidade serão os pontos cruciais do mandato.

Adriana, por sua vez, destacou que as tarefas entre as três serão divididas e atribuições compartilhadas, apesar de apenas uma delas ter registrado nome como parlamentar para cumprir as formalidades da legislação eleitoral. “Vamos compartilhar tudo, obedecendo as regras. Mas queremos compartilhar comissões, audiências públicas… Essa formalidade é uma parte das nossas demandas, mas não é tudo. No que for possível, a gente vai compartilhar nossas atribuições”.

Segundo disse, a oposição que o PSOL fará será totalmente oposta àquela que a bancada oposicionista conservadora fará. “Somos oposição programática, e isso nos difere muito. Somos de esquerda, feminista, antirracista, ambientalista. A gente vem com muita programação de uma oposição que não seja oposição por oposição. Temos propostas, queremos fazer mudanças estruturais e estamos muito sintonizados para fazer uma oposição de esquerda muito boa”, afirmou.

Vereadora Adriana atenderá pelo nome de “Nossa Cara”. Foto: Reprodução/Facebook.

De acordo com Gabriel Aguiar, em todo o País existe um cenário de retrocesso na política em várias frentes e aqueles que elegeram os vereadores do PSOL querem resultados que apresentem solução para os problemas reais do dia a dia. “Nossa pauta é socioambiental e interação com as pessoas. Queremos dialogar com o acesso aos direitos, ao saneamento básico, saneamento ambiental, geração de emprego e renda, com sustentabilidade e preservação dos nossos ecossistemas”, defendeu.

Expectativas

Segundo ele, é preciso trabalhar para construir uma cidade mais verde e com mais oportunidades, o que passa pela coluna da questão ambiental. “Queremos um mandato que consiga mostrar resultados e consiga superar as expectativas do eleitorado”. Conforme disse, não haverá unidade entre as bancadas de oposição, “mas o PSOL manterá sua oposição propositiva,  mantendo o diálogo aberto, mantendo uma oposição à esquerda”.

A última vez em que o PSOL elegeu dois vereadores para a Câmara Municipal de Fortaleza foi em 2012, quando foram eleitos João Alfredo, que está longe da política eleitoral, e Toinha Rocha, que atualmente é uma das coordenadoras da Rede Sustentabilidade, na Capital. Em 2016, apesar de Ailton Lopes, dirigente do PSOL, ter sido o quinto candidato mais bem votado para vereador, o partido não atingiu o quociente eleitoral, e o postulante não conseguiu ser eleito.

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