Ficarão sequelas da escolha do próximo presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, mesmo sem disputa no plenário - Blog Edison Silva

Ficarão sequelas da escolha do próximo presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, mesmo sem disputa no plenário

Mesa Diretora do Parlamento estadual cearense. Foto: Blog do Edison Silva.

Pelo Regimento Interno da Assembleia Legislativa cearense, como disposto no Art. 13, os deputados já estão participando de sessões preparatórias para a eleição dos integrantes da futura Mesa Diretora do Poder Legislativo estadual, “que se realizará até o dia 15 deste mês”. Para a segunda metade da Legislatura, no caso presente, a disputa para o comando daquela Casa legislativa é sempre um pouco mais atraente, principalmente quando o horizonte indica uma provável renúncia do governador do momento para a disputa de um outro qualquer mandato, como é o que projetado para 2022. E se o vice-governador, como foi na época que Ciro Gomes renunciou ao mandato e o seu vice, Lúcio Alcântara, também, então o cargo de presidente da Assembleia redobra sua importância em razão de ele poder ser eleito governador “tampão” para encerrar o mandato dos renunciantes.

Foi assim com o ex-governador Chico Aguiar. Ele era presidente da Assembleia quando foi eleito “tampão”, para concluir o mandato dos renunciantes, Ciro Gomes e Lúcio Alcântara. Além desse fato significativo, a possibilidade de chegar a ser governador, ou, ao menos vice-governador, no caso de a vice-governadora resolver tornar-se efetiva na chefia do Executivo, a eleição dos novos dirigentes da Assembleia, agora em dezembro, concentra descontentamentos de alguns dos candidatos com os resultados das duas últimas disputas pelo cargo de presidente. Os deputados Sérgio Aguiar, Tin Gomes e Zezinho Albuquerque, todos do PDT, guardam ressentimentos por ter sido preteridos. O primeiro, em 2016, derrotado por seus colegas governistas na disputa em plenário; o segundo por não ter recebido o apoio de Ciro e Cid Gomes, em 2018, embora alegasse ter o apoio do governador Camilo Santana; e Albuquerque, por não ter conseguido um novo mandato como presidente, também em 2018, quando os irmãos Ciro e Cid Gomes optaram por José Sarto.

Mesmo machucados, os três pedetistas citados guardaram uma certa resignação em razão do acordo anunciado pelos principais líderes da base governista de que os parlamentares escolhidos para participarem da atual Mesa Diretora da Assembleia ficariam de fora do grupo de dirigentes a ser eleito neste mês de dezembro de 2020, pois vislumbraram, no acordo, uma chance de alcançarem o objetivo frustrado no início desta legislatura. Mas, agora, já não têm mais a esperança de que o acordo seja cumprido, pois têm recebido informações indiretas de alguns entendimentos caminhando em sentido contrário, daí estar sendo dado como certo o nome do deputado Evandro Leitão, atual primeiro secretário, como o candidato à presidência da Assembleia, nome, aliás, muito bem aceito pela quase totalidade dos parlamentares, sofrendo restrições apenas dos que invocam o acordo da inelegibilidade para qualquer cargo na direção futura de membro do atual comando da Casa.

É forte o comando político da base governista cearense, portanto, e por isto, não haverá disputa em plenário como aconteceu em 2016, qualquer que seja o candidato apontado pelo governador Camilo e os irmãos Ciro e Cid Gomes. Aquele momento de 2016 foi marcado pela ruptura no grupo majoritário com a divergência aberta pelo hoje presidente do PSD cearense, Domingos Filho, à época conselheiro do extinto Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), um dos bancadores da candidatura de contestação do deputado Sérgio Aguiar. Hoje, com Domingos de volta à sombra do Governo, não há perspectiva de repetição do quadro de 2016, mas há possibilidade de reações que podem gerar constrangimentos aos líderes e aos colegas escolhidos para dirigirem o Poder nos próximos dois anos.

Por certo, o nível de insatisfação que ficará, não havendo ação imediata para acalmar os ânimos dos irresignados, e alguns colegas solidários, o líder do Governo, em 2021, poderá ter dificuldade de conduzir a bancada, ao contrário das facilidades como as coisas ocorrem atualmente. O deputado Tin Gomes, que sempre foi um dos deputados mais assíduos às sessões e na defesa do Governo, depois de ter sido preterido para disputar o cargo de presidente, afastou-se parcialmente das atividades legislativas como uma forma de protesto, não aos colegas, mas aos líderes governistas fora da Casa. Agora, só o tempo dirá o que ele e os outros descontentes farão depois da escolha dos novos dirigentes da Assembleia.

Veja o comentário do jornalista Edison Silva sobre os bastidores da escolha dos membros da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Ceará para o biênio 2021/2022:

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