Filomeno Moraes com Paulo Bonavides. Foto: Márcia Travessoni.

Artigo do professor Filomeno Moraes publicado em novembro do ano passado no site ConJur:

Paulo Bonavides, pensador da política e do Direito

I.

Paulo Bonavides tem sido ao longo dos seus quase 95 anos de idade, fundamentalmente, um grande mestre da política e do Direito Constitucional, com a constante preocupação com o aperfeiçoamento republicano, democrático e federativo brasileiro.

Nascido em Patos, cidade do sertão paraibano, no ano de 1925,foi o décimo-terceiro e antepenúltimo filho de um casal de telegrafistas e neto de um latinista. O contexto em que nasceu e viveu os seus primeiros oito anos foi o da transformação da “Paraíba pequenina e boa” (no dizer de Epitácio Pessoa) na “Paraíba pequenina e doida” (na expressão de José Américo de Almeida), tal foi o turbilhão de acontecimentos que marcou o estado nas décadas de 1920 e 1930, como a presidência da República nas mãos de Epitácio Pessoa, a investidura de João Pessoa na presidência do estado, com a sua ousada reforma política, o enfrentamento do Palácio do Catete, a participação na Aliança Liberal com João Pessoa como candidato a vice de Getúlio Vargas, a proclamação do território livre de Princesa, a guerra civil estadual que se seguiu, o assassinato de João Pessoa, a Revolução de 30…

Depois da morte prematura do patriarca, em 1933, acrescida das vicissitudes políticas municipais, os Bonavides transferiram-se para Fortaleza, onde Paulo fixou, desde então, o seu domicílio principal. Aos treze anos de idade, iniciou a sua atividade de jornalista, em O Povo, o hoje já nonagenário jornal de Demócrito Rocha, Paulo Sarasate e Demócrito Dummar. Estudou no Liceu do Ceará e,