Com a queda de Onyx Lorenzoni a interlocução política do Governo Bolsonaro será toda feita por generais - Blog Edison Silva

Com a queda de Onyx Lorenzoni a interlocução política do Governo Bolsonaro será toda feita por generais

Ministro Onyx Lorenzoni na corda bamba. Foto: Gov.Br.

Até à noite desta quarta-feira (12), o deputado federal do DEM do Rio Grande do Sul, Onyx Lorenzoni, ainda não havia sido oficialmente exonerado da Casa Civil da Presidência da República, mas o convite do presidente Bolsonaro para o general Walter Souza Braga Neto substitui-lo estava confirmado, especulando-se, a partir daí, para onde iria o então titular de uma das Pastas mais importantes da estrutura da Presidência da República.

De fato, pelos desgastes que gerou, desde o início da gestão, Onyx demorou muito nesse posto, talvez por gratidão do presidente que o teve a seu lado desde o início da campanha eleitoral de 2018, quando poucos tinham coragem de aproximarem-se do então candidato.

Mesmo sendo histórico filiado ao DEM, e serem deste partido os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, respectivamente, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, Onyx não conseguiu viabilizar-se como o interlocutor político do Governo. Acabou, ainda no ano passado, perdendo espaço na interlocução do Planalto com o Congresso para o general Luiz Eduardo Ramos, recrutado para a Secretaria de Governo, com a finalidade de fazer melhor fluir o diálogo político tão necessário para a consecução dos objetivos do Poder Central. A nomeação do general, por óbvio, representou um atestado de incompetência dado ao político.

É desde essa nomeação do general Luiz Eduardo Ramos, que Onyx começou a perder espaço no Planalto. Em respeito ao mandato parlamentar que tem, não deveria aceitar outro cargo no Governo, em se concretizando a exoneração. Sua provável substituição não é para atender a conveniências políticas do Executivo, tipo aquela que o defenestrado dali precisa cumprir uma missão especial, ou por sua competência pessoal para aquele mister, ou por irrestrita confiança do governante. De qualquer modo, porém, apesar dos pesares, perde a classe política com sua saída do cargo.

O Congresso Nacional, nos dias atuais, reclama um novo tipo de interlocução do Governo. Não será a patente de general, almirante ou brigadeiro que o dobrará. Os senadores e deputados estão cientes da força do Poder Legislativo, tanto que várias derrotas já foram impostas ao Poder Executivo, no primeiro ano do Governo Bolsonaro. Os parlamentares, estão sendo mais instados por seus eleitores. A Internet é um forte instrumento de cobrança e de advertência para um melhor exercício de suas atividades. Isso os faz mais diligentes e, sobretudo, exigentes quanto à atuação do chefe do Poder Executivo.

Que o general Walter Souza Braga Neto, em assumindo tão importante Pasta, cumpra bem a missão para a qual foi convidado. Sua última atividade pública, a intervenção na Segurança do Rio de Janeiro, não o obrigava a dar satisfações aos políticos e nem mesmo à sociedade dos atos que praticaria. Na Casa Civil da Presidência da República é bem diferente, embora possa ser bem menos cobrado, pelos deputados, senadores e outros representantes da sociedade, por não ser político na expressão mais corriqueira da palavra, mas terá que responder a muitos questionamentos.

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