Afeganistão a grata surpresa de Band-e-Amir - II - Blog Edison Silva

Afeganistão a grata surpresa de Band-e-Amir – II

A.Capibaribe NetoEspecial para o Blog do Edison Silva – Afeganistão a grata surpresa de Band-e-Amir II.
No Afeganistão, desde 2001, existe um cenário de guerra até os presentes dias, mesmo depois que os Estados Unidos saíram de lá, dando oficialmente encerrado o conflito, alegando a derrota dos Talebans, segundo o ex-presidente Barack Obama, mas a violência continua e só ganha manchetes quando as mortes por homens-bomba acontecem nas cidades mais conhecidas, principalmente Cabul.
Estive no Afeganistão por duas vezes, por ter sido o brasileiro com o primeiro visto concedido pela embaixada desse país, em Brasília e ter recebido o passaporte das mãos do 1° Secretário, que fez questão de me entregar pessoalmente e saber as razões para me interessar em conhecer sua República Islâmica, deu-me, após mais de uma hora de conversa descontraída, uma folha de papel, escrita de próprio punho, em &ld quo;pachto”, a língua oficial, uma apresentação que acabava com uma observação que me serviu de salvo-conduto: este é meu amigo Capibaribe e ele é uma pessoa de paz. E foi assim que fiz amizades desde o embarque em Dubai, com destino a Cabul, onde uma coincidência me levou ao modesto escritório de Mukhtar Youssufi, que me indicou o Kabul Star Hotel, onde fiquei hospedado, onde conheci a rainha  Índia Amanaullah Khan, que me concedeu uma entrevista exclusiva em italiano, em sua suíte e onde também conheci a recepcionista Amena Khavari, ainda solteira.
A partir da sugestão de Amena, fui conhecer Bamiyan, sua cidade natal, no Vale do mesmo nome, onde ficavam os Budas Gigantes, destruídos pelos radicais talebans. Há pouco mais de um ano, um ataque terrorista destruiu quase toda a fachada do Kabul Star Hot el, a rainha Índia Khan estava em Paris, onde se exilou, mas tem permissão para visitar sua terra e ganhou uma suíte permanente nesse hotel. Ali, continua a percorrer estradas de sua sofrida e castigada nação, em missões de ajuda internacional. Amena casou, uma de suas melhores amigas conseguiu refugiar-se nos Estados Unidos. Mukhtar Yousufi permanece trabalhando no aeroporto de Cabul, esperando uma oportunidade de mudar-se para qualquer país que o aceite como imigrante.
O Afeganistão, infelizmente, continua sofrendo nas mãos dos muçulmanos radicais, com a corrupção desenfreada, o cultivo da papoula, o tráfico de drogas e a tensão diária com as bombas que podem explodir a qualquer momento. Segundo a resposta à pergunta que fiz a rainha Índia Khan, sobre quando ela achava que a paz voltaria ao seu país, vi profunda tristeza em seus olhos azuis: talvez em trinta anos. Estive no Afeganistão há quatro anos. Só faltam 26. Nem eu nem a rainha estaremos mais vivos para ver. Nas fotografias desta edição uma amostra dos contrastes do lugar onde a violência está adormecida, entre as montanhas nevadas do Vale do Bamiyan, na Rota da Seda. Um lugar simplesmente fantástico, debaixo de um céu de azul inigualável.

Texto e Fotos: A.Capibaribe Neto.

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