O Legislativo não pode ficar apequenado. O eleitor precisa reagir - Blog Edison Silva

O Legislativo não pode ficar apequenado. O eleitor precisa reagir

O dia primeiro de fevereiro de todos os anos subsequentes aos das eleições, é, indiscutivelmente, um dos mais importantes para a Democracia brasileira, perdendo apenas para o dia da eleição. Os brasileiros, por razões várias, não reconhecem a importância da data que marca o início das atividades legislativas, em todo o País, pois a abertura das Casas respectivas só motiva familiares e os próprios legisladores. Uma pena, pois é do Legislativo que emanam todas as leis, boas ou ruins, geradoras de direitos e deveres para a sociedade, além de ele poder controlar a exacerbação, tanto do Poder Executivo quanto a do Judiciário.

O legislador brasileiro é pobre de iniciativa e muito eficiente no agrado ao Executivo. Teme ao Judiciário como se constantemente estivesse praticando delito. E muito pouco apreço tem à população quando aprova proposições esdruxulas. Sem dúvida, a falta de conhecimento das competências das Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e Congresso Nacional, aliada à decepção do eleitor com os políticos, são as principais causas da pobreza da política nacional.

Com honrosas exceções, vereadores, deputados e senadores conquistam mandatos comprando votos. Os eleitores os vendem por ignorância, necessidade ou safadeza, ficando, assim, todos desobrigados de cumprirem com suas obrigações após a eleição e posse dos eleitos. Aqueles, por qualquer das razões tenha sido a comercialização do seu voto, até esquece a quem ajudou eleger. Os vitoriosos, além de quase nunca saberem o que farão no exercício do mandato, também sentem-se desobrigados de prestarem contas do que fazem ou deixam de fazer, e passam a cuidar de interesses próprios políticos-eleitorais ou de pecúnia, como têm mostrado as grandes investigações policiais.

A subserviência e práticas condenáveis de legisladores diminuem o Poder. E o Legislativo apequenado só penaliza a população. É importante o eleitor saber o que faz o seu representante, vereador, deputado ou senador. Há mecanismos de acompanhamento e de interação facilitados pelos próprios Parlamentos. De nada adianta reclamar do depois. Os servidores públicos acompanham bem as ações parlamentares, por isso têm ganhos acumulados e poucos prejuízos sofridos. A sociedade, no todo, pode e deve fazer o mesmo para evitar aumento de impostos, desperdícios de recursos e garantir  melhores serviços, mesmo não tendo escolhido tão bem os seus representantes.

A renovação da Assembleia e do Congresso Nacional, por conta das eleições do ano passado, poderia até significar uma melhora da atuação legislativa, nos próximos quatro anos, se de fato ela tivesse acontecido pela vontade consciente do eleitorado. Não foi. Além da falta de mais opções, muitos dos bem sucedidos na disputa, inclusive jovens de boa aparência e formação superior, utilizaram-se da prática antiga e condenável da compra de votos, nos levando a acreditar que repetirão os mesmos defeitos dos seus familiares ou líderes de seus partidos, deixando tudo como está ou pior, como dizia Ulisses Guimarães, ao responder as críticas do Parlamento da sua época: O próximo será pior.

Pode ser. E parece que será. Mas não devemos aceitar isso. Podemos provocar e exigir mudanças. Aliás, a própria Justiça Eleitoral, em anúncios publicados nos meios de comunicação motiva os eleitores a acompanharem os mandatos dos parlamentares eleitos. Façamos cada um a nossa parte.

 

 

 

 

 

 

 

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